No dia 5 de outubro, foi comemorado o Dia Nacional das Micro e Pequenas Empresas (MPEs). E o programa A Indústria Tá On, do Sistema Federação das Indústras do Estado de Goiás, convidou especialistas para falar sobre as MPEs, que representam 99% das empresas no Brasil, atualmente. O programa vai ao ar, ao vivo, todas as segundas-feiras, às 17 horas, no Canal da FIEG no Youtube e fica disponível em formato podcast nos principais players.

Para o presidente do Conselho Temático da Micro, Pequena e Média Empresa (Compem) da FIEG, Jaime Canedo, a data (5/10) é um motivo de comemoração pela importância fundamental das MPEs, que somar cerca de 9 milhões de empresas no País e representam 27% do PIB, um resultado que vem crescendo nos últimos anos.

No primeiro semestre de 2021, o País vem vivendo o maior número de abertura de pequenas empresas desde 2015, segundo dados do Sebrae. Com isso, são 2,1 milhões de negócios abertos neste segmento, 35% a mais que no mesmo período de 2020.

Entretanto, o momento não é apenas para comemoração. “Temos motivos para comemorar, pois houve muitos avanços desde a promulgação da Lei Geral das MPEs, em 2006 (Lei 123). Embora temos que nos preocupar com o futuro. Atualmente, por exemplo, existe uma preocupação que foi amplamente discutida no 1º Fórum Goiano da Indústria do Futuro (promovido pelo Sistema FIEG, em 22 de setembro, no Observatório FIEG Iris Rezende). O processo de digitalização das empresas está muito aquém para a realidade necessária para o século XXI. Menos de 30% das MPEs estão nesse processo”, ressalta Jaime Canedo (à direita na foto).

Durante o 1º Fórum Goiano da Indústria do Futuro, Igor Calvet, presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Calvet apresentou o resultado de uma pesquisa da ABDI sobre maturidade digital das MPES brasileiras.

Segundo ele, em quatro níveis pré-definidos na pesquisa com 2.527 MPEs, 66% ficaram entre os níveis 1 e 2 em maturidade digital, o que mostra a urgência da Transformação Digital nas micro e pequenas empresas brasileiras - os níveis foram divididos em 1 (analógico), 2 (emergente), 3 (intermediário), 4 (líder digital).

Com base na pesquisa e na sua experiência profissional, o gerente de TI e Inovação do IEL Goiás, Joel Matos, que participou do A Indústria Tá On, corroborou a preocupação de Jaime Canedo. “A Transformação Digital vai além da digitalização da empresa. Ela fala de cultura, de atuação em plataforma, de ambiente de rede, da maneira como ela se organiza para entregar valor na sua cadeia. Tem uma série de parâmetros. Ainda existe muito a ser feito e a avançar. Nosso trabalho e objetivo é direcionar os esforços para que as empresas alcancem a evolução necessária”, afirmou Joel Matos.

Para Jaime Canedo, inovação ainda é um conceito muito pouco conhecido entre os pequenos e médios empresários e o Compem está preparado para auxiliar estes empreendedores. “Estamos tentando criar uma cultura de exportação entre os MPEs. Também temos o Núcleo de Acesso ao Crédito (NAC), mas nem sempre é crédito que o empresário precisa. Às vezes, ele precisa muito mais de um apoio na gestão para gerenciar o dinheiro que ele já tem ou que ele vai receber como crédito”, observou Jaime Canedo, que olha com desconfiança para o projeto de Reforma Tributária que está tramitando no Congresso Nacional.

“Proporcionalmente, a pequena empresa paga mais imposto que as grandes. A reforma tributária me causa preocupação. Normalmente, as reformas vêm com finalidade de aumentar imposto e isso não é solução”, criticou.

MÊS DAS MPEs
Um dos agentes que que apoiam as empresas é o Sebrae Goiás, que foi parceiro do Sistema FIEG no 1º Fórum Goiano da Indústria do Futuro. Durante todo o mês de outubro, o Sebrae oferece produtos e serviços com descontos especiais direcionados aos micro e pequenos empreendedores.

Paula de Paula, analista de Atendimento e Desenvolvimento do Sebrae, foi uma das entrevistadas do A Indústria Tá On e explica que a instituição está oferecendo produtos e serviços que podem ajudar amplamente os proprietários de MPEs, principalmente neste mês das MPEs.

“Em um primeiro momento, o empresário chega ao Sebrae acreditando que precisa de dinheiro. Mas, quando a gente começa a trabalhar com nossos Raios-X empresarial, percebemos outras dificuldades além do crédito. Neste Mês da MPE, estamos com inúmeros produtos voltados para Transformação Digital e Inovação. Estamos com uma campanha com até 90% de desconto, além da feira do empreendedor”, salientou Paula de Paula.

Apenas em junho de 2021, as micro e pequenas empresas apresentaram 871.197 admissões contra 654.801 desligamentos, resultando em um saldo positivo de 216.396 empregos gerados. Esse montante equivale a 70% do total de empregos no território nacional. As MPEs respondem por 52% dos empregos com carteira assinada no setor privado (16,1 milhões).

Com a pandemia da covid-19, a crise econômica mundial e o crescimento do desemprego no Brasil, houve um crescente no número de micro pequenas no País, o que passou a significar oportunidades.   

Segundo Paula, chegam ao Sebrae dois perfis de empreendedor: por oportunidade e por necessidade. “Na pandemia, vimos um grande número de empreendedores por necessidade. No primeiro semestre de 2021, o número de novas empresas aumentou 35% em relação ao mesmo período de 2020 e, praticamente o dobro de empresas criadas em 2015. O brasileiro é muito criativo e, mesmo perdendo o emprego, ele já buscou alternativas: são esses empreendedores por necessidade”, informou a analista do Sebrae.

 

 

AS MPEs em Goiás

- Atualmente, em Goiás, existem 12.464 indústrias de micro e pequeno porte, que empregam 53.671 trabalhadores.
- As MPEs, em Goiás, representam 88,5% das empresas no Setor Industrial e são responsáveis por 21% das contratações de trabalhadores, em 2021, se comparado com indústrias de todos os portes no Estado.

- Os segmentos têxtil (2.920 empresas), produtos alimentícios (2.462) e metalúrgica (1.312) são os que mais possuem MPEs, em Goiás.

- Dos 53.671 trabalhadores empregados nas MPEs de Goiás, 34,5% são mulheres e 65,5% são homens.

- A remuneração média dos trabalhadores nas MPEs goianas de de R$ 1,5 mil.

- Em relação a todos os setores (indústrias, serviços, construção, comércio, agropecuária), as MPEs possuem 94% dos estabelecimentos em Goiás e empregam 32% dos trabalhadores. Desses, 57,7% são homens e 41,3%, mulheres.

* Fonte: Observatório FIEL Iris Rezende

 

 

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